Camping #9





Teu pijama é engraçado!
            Bom, pelo título dessa parte da história já deve ter dado pra perceber que hoje eu vou falar sobre... rufem os tambores. Festa do pijama!
Festas do pijama são coisas engraçadas. Tipo, elas não passam de desculpas pra um monte de gente se juntar, fazer bagunça e encher a cara enquanto escuta música bem alta e num horário indevido. E, como já deu pra perceber, eu não sou nem um pouco fã desse tipo de festa. Na verdade, eu não gosto nem um pouco de nenhum tipo de festa. Sério. Mas, vamos aos fatos que eu já enrolei demais!

Era finalzinho da tarde de uma sexta-feira quando Alice me ligou:
- Zac? Então, cala a boca e nem vem me dizer que não, hein?
- Er... Primeiro: oi, Alice! E segundo: antes de dizer não, eu vou te deixar falar o-que-quer-que-seja-tanto-faz.
- FEEESTA DO PIJAAAMAAA!!! – Gritou alguém do outro lado da linha. Era a Liv. – Meus pais viajaram hoje de manhã e, pra não ficar sozinha, resolvi chamar todo mundo aqui pra casa. A gente assiste um filme, come chocolate, fofoca sobre a vida, etc. Que tal?
“Resolvi chamar todo mundo”, eu pensei. Isso provavelmente era o mesmo que dizer que o Ian também ia estar lá. Okay, claro que eu vou passar a noite num quarto com alguém que sequer me olha na cara há semanas!
- Zac? Alguém aí? – Perguntou Alice depois de quase um minuto de silêncio. Ela sussurrou pra Liv do outro lado: - Acho que ele morreu.
Liv riu alto.
- Zac, por favor! Não vai ser nada de muito apavorante.
- “Resolvi chamar todo mundo”? – Eu repeti. – Isso quer dizer que...?
- Sim, sr. Izaac Lenori. O Ian também vai. – Liv respondeu e disse logo em seguida: - Acho que já tá mais do que na hora de vocês pararem com essa picuinha chata e voltarem a se falar!
- Mas, Liv, ele nem me olha na cara. E a gente estuda na mesma escola. Na mesma sala!
- Por favor! – Disseram as duas em uníssono. – Por mim!
- Ah, gente... não sei. Vocês sabem o que eu penso sobre isso de festa do pijama. É só desculpa pra bagunça, barulho e gente bêbada.
- Não podemos esquecer do fator mais importante: - Alice riu. – Gente bêbada e praticamente nuas!
Dito e feito! Tinha muito mais gente do que todo mundo esperava e, no fim, um monte de gente bêbada, suada, fazendo bagunça e seminuas – não vou falar das que estavam nuas de fato. Alice estava no paraíso!
- Zac! – Liv se jogou nos meus braços assim que cheguei, levemente alterada e com uma latinha de cerveja na mão que ela quase virou em cima de mim. – Fico muito feliz que tu tenhas vindo!
- Er... Pois é. Liv, quem são essas pessoas todas?
- Aquele é o Juan, ali tá a Alice, olha o Ian – ela respondeu apontando as pessoas. – O resto eu não faço a mínima ideia! – Ela soltou uma gargalhada no final. – Agora – ela acrescentou, me empurrando: - vai dançar. E vê se bebe alguma coisa e tira esse olhar de “te julgando” da cara.
E menina Olivia saiu rodopiando entre as pessoas que enchiam sua casa. Haviam pessoas da escola, amigos de amigos, conhecidos desses amigos e conhecidos dos conhecidos; sério, quando eu digo que a casa estava cheia, ela realmente estava.
- Zac! – Era Ian. Ele me deu um longo, apertado e estranho abraço. – Quanto tempo, cara!
- É. – respondi, seco.
Eu já começava a dar as costas pra me afastar quando ele me segurou pelo pulso.
- Ei, ei! Calma aí, cara!
Soltei um suspiro pesado e mandei:
- Ian, ou tu estás muito bêbado, ou simplesmente esqueceu que já faz dias que tu nem sequer me olha na cara. – Olhei pra mão dele no meu pulso e puxei com força; sim, muito ressentimento envolvido. – Faz o favor de me soltar e, de preferência, muda a rota quando tu me ver no caminho, ok? – Peguei a dose de vodca que ele segurava e tomei de uma só vez. Devolvendo o copo pra ele eu disse: - Aproveite a festa.
E essa é a minha última lembrança referente ao Ian daquela noite.
Aquela dose de vodca me deixou bem animadinho. Nunca fui lá muito forte pra bebida, então uma dose se transformou em duas, três, quatro... e assim foi até eu perder as contas. Dancei como nunca tinha dançado antes e conheci pessoas que nunca vou lembrar nem dos nomes, muito menos das caras. A noite era um borrão, mas tudo o que eu sabia era que estava me divertindo como se o dia fosse acabar amanhã. E quer saber? Bem que poderia ter acabado!
Não sei bem em que momento aconteceu e nem o porquê, mas acabei no telhado da casa da Liv. É engraçado como eu sempre acabo indo parar no telhado! Mas, dessa vez eu não havia sido o primeiro a chegar ali; Otto, estava lá. A parte de cima do pijama toda verde, muito larga e a calça branca. Lembrava alguém saído de um game da Nintendo.
- Hey, listen!
Otto deu um pequeno salto e se virou pra me encarar. Quando me viu, ele abriu um sorriso.
- Zac! Cara, tu me assustou!
- Foi mal. – Eu me aproximei e me sentei ao lado dele. Quem é Otto? Bem, vou deixar isso pra depois. – Subi aqui pra tomar um ar e ficar longe de toda a bagunça da festa.
- Mas... no telhado?
- Ué. – Eu ri. – Acho que eu sempre acabo terminando as minhas noites nos telhados alheios.
Ele riu.
- Acho que compartilhamos esse traço peculiar.
Olhei pra ele com um sorriso brincando no canto da boca e ele me encarou de volta com os olhos azul-piscina.
- Teu pijama é engraçado! – eu disse, inclinando a cabeça pro lado esquerdo. – Me lembra um pouco o Link. Sabe, Zelda? Só faltava o gorrinho e uma Triforce.
Otto soltou um risinho e se virou, pegando alguma coisa sobre as telhas.
- Tipo esse aqui? – Ele perguntou colocando um gorrinho verde com uma Triforce bordada nele.
- Meu Deus, Otto! Me abraça! – Puxei ele antes de ter uma resposta.
Otto se afastou um pouco depois de alguns segundos e ficou me olhando de perto. Não era o céu estrelado, não era a lua em quarto minguante, não era o vento frio que açoitava meu corpo e eu sequer notava, talvez fosse o álcool no meu sistema; mas alguma coisa mexeu comigo enquanto eu olhava naqueles olhos.
- Sabe, Zac – Otto começou com a voz um pouco rouca. Eu podia sentir o hálito dele, cheirava a uma mistura estranha de vodca e eucalipto. – Se eu não soubesse que tu és apaixonado pelo Ian, eu poderia te beijar agora. – Ele deu um sorrisinho torto, fechando a frase com um charme tímido.
- Como assim apaix...? – Fui interrompido quando Otto colou os lábios dele nos meus de uma forma incrivelmente suave. Eu recuei, olhando para ele surpreso. – Que se dane! - Sussurrei, puxando Otto para mim novamente.