Outro
dia estava eu no meu maravilhoso banho, os olhos fechados, sentindo a água cair
poeticamente sobre o meu corpinho lindo – sim, lindo, dá licença? – e no meio
de uma performance da minha mais recente turnê pelo mundo me veio uma imagem à
cabeça: uma noite de chuva fraca e um grupo de 5 pessoas, umas perto das
outras, cada uma com uma sombrinha (ou guarda-chuva).
Essa
imagem nada mais era que uma lembrança de uma dessas muitas noites chuvosas
aqui em Belém. Daí fui me lembrando das diversas outras vezes que isso
aconteceu, meus amigos andando debaixo de um guarda-chuva (ou sombrinha) e eu
um pouco mais atrás, sentindo a chuva cair.
Pensei
comigo: “por que as pessoas tem tanto medo assim de se molhar um pouquinho?”
Desde
muito pequeno, eu sempre odiei andar
sob uma sombrinha (ou guarda-chuva), nunca entendi “muito direito” a função
daquele objeto – além de ser usado como espada/escudo/arma laser alienígena, aí
sim era compreensível. Nunca entendi esse pavor que todos sempre tentaram
colocar na minha cabeça contra a chuva. Sempre pensei: “ué? Mas é só água!”
Desde
que me entendo por gente, eu era a pessoa andando debaixo de chuva com as mãos
nos bolsos, tranquilo, olhando pro céu e com um sorrisinho idiota no rosto,
enquanto todas as outras pessoas preferiam ficar sob uma cobertura, esperando a
chuva passar.
Nunca
entendi esse medo que as pessoas sentem de se molhar um pouquinho – ou muito –
na chuva. Mas, a verdade é que eu também nunca entendi o porquê de as pessoas
nunca pararem um minuto sequer nas suas vidas tão corridas para apreciar o
pôr-do-sol, ou as estrelas, ou a lua, ou um cafezinho, ou o canto dos pássaros,
ou o beijo de uma pessoa amada. Nunca entendi esse desprezo por coisas tão
simples e tão incríveis ao mesmo tempo.
Pra
ser mais sincero, acho que eu nunca entendi as pessoas...
