“A gente tem que falar as coisas que a gente sente...
Não adianta deixar guardado.”
(Hoje eu quero voltar
sozinho)
Eis
uma coisa complicada de se fazer: “falar o que sente e não deixar guardado”.
Principalmente pra mim, um cara que só faz guardar tudo. Sentimentos são coisas
tão complicadas de lidar que, com o tempo, aprendi a não precisar lidar com
eles. Ou pelo menos fingir que não precisava.
Sou
do tipo de pessoa que conseguiu aprender a fingir e fingir muito bem
sentimentos, dos mais variados: raiva, felicidade, ódio e até mesmo o amor...
Sim, o “amor” que muitos dizem sentir, mas na verdade não tem a mínima ideia do
que é realmente. E devo confessar que ele é um dos mais fáceis de se fingir.
Porém
um sentimento que nunca precisei aprender a fingir foi a tristeza. Ela, por
mais que eu tentasse esconder estava ali, bem no fundo dos meus olhos e
qualquer um que se desse ao trabalho de fixar seu olhar no meu por apenas 5
segundos, poderia ver. Mas muitas vezes as máscaras que eu usava eram tão boas
que ela passava despercebida aos olhos de qualquer um.
Tentei
suprir essa tristeza de diversas formas e uma delas foi buscar dar felicidade
aos outros. Talvez um gesto nobre para alguns, mas, para mim, extremamente
cansativo. Sabe, fazer o outro sorrir é bom, reconfortante, quase divino,
mas... Sempre te falta algo. Outra forma foi a paixão – uma bagunça!
E
aí eu fui guardando dor, sofrimento, mágoa e todas as lágrimas que não me
permiti derramar pois achava que estaria sendo fraco ao compartilhar minhas
mazelas com alguém ou deixar rolar qualquer lágrima pelo meu rosto. Foi o maior
dos erros. Isso foi me corroendo por dentro e me tornando algo que eu sempre
temi ser: falso.
Quem
eu era? Já não sabia mais. Eu havia me perdido no meio de todas aquelas trevas
que guardei para mim e elas começavam a me consumir. E quanto mais elas me
consumiam, mais falso e dissimulado eu me tornava, mais eu me perdia de mim
mesmo.
Até
que eu resolvi ceder.
Decidi
parar de fingir, parar de guardar e transformar o mundo na minha pista de dança
particular. Decidi aceitar amores maiores e melhores, afinal, como diz um certo
livro e um certo filme: “aceitamos o amor que acreditamos merecer”.
