Acho que um dos maiores problemas das pessoas hoje em dia quando o assunto diz respeito as frustrações nas suas relações é esse: a síndrome de Cinderela.
Claro, mas quem não sonha com o momento em que o príncipe Encantado por mera obra do acaso vai cruzar o teu caminho e desencadear uma sucessão de eventos sem igual? Já pensou que louco, você lá, fugindo de sabe Deus o que e do nada lá está ele montado em um belo garanhão branco, com suas roupas reluzentes, seus olhos azuis e seu sorriso devastador?
As pessoas hoje sempre esperam mais do que elas tem e isso não é nem algo ruim. O que se torna uma coisa ruim é o fato de aquilo sempre se tornar algo idealizado e por ventura transformado em uma coisa saída de um conto de fadas. Mas quem é que não espera um final de “felizes para sempre”? Quem não quer encontrar aquela pessoa que vai chegar vinda de “Tão-Tão Distante” e irá te salvar de todos os seus dragões?
O que muitos não conseguem fazer é uma coisa simples e que sequer custa esforço: olhar para o lado.
O príncipe nem sempre vai vir de um outro país, mundo ou universo como muitos podem pensar. Às vezes, o tão aguardado “feliz para sempre” está ali, bem do lado, mas por idealizações próprias (sejam de uma aparência física, intelectual ou Deus sabe o que) ele não pode ser visto.
Hoje, por mais escroto que seja, para a grande maioria um par de olhos azuis, um cabelo loiro e um sorriso reluzente valem mais do que uma boa conversa e risadas soltas sem esforço. E não digo isso tirando tais conclusões do nada, mas, sim, ao observar as coisas que acontecem ao meu redor.
Por ter saído da “geração Disney” muito tempo eu mesmo esperei pelo dito príncipe encantado, mas cara... Pra que? Por que? Por que esperar pela Fada Madrinha quando se pode simplesmente olhar para o lado e fazer toda a magia acontecer em cada canto que se vai? Por que esperar pelo príncipe dos olhos azuis e sorriso devastador quando se pode olhar pro lado e encontrar um par de olhos castanhos míopes e um sorriso meio desajeitado?
A pessoas exigem muita perfeição. Elas clamam muito pela perfeição. Mas, pensando bem, o que é perfeito? Quem é perfeito?
O cara lindo, com uma barba maravilhosa e corpo sarado pode ser o maior cafajeste. A mina loira, esbelta, estilo modelinho pode querer só brincar contigo enquanto o “quatro-olhos” estranho, ou a menina gordinha e desajeitada pode ser quem vai te dar o tão sonhado “happily ever after”. Basta olhar pro lado e conseguir ver.
Sabe, isso aqui não é nenhum tipo de análise psicológica das pessoas em geral ou dos contos de fadas; isso aqui é só um desabafo, palavras talvez sem nexo algum, saídas de uma mente sem nexo algum. Mas esquece o príncipe encantado pintado nas obras fantásticas, porque o teu príncipe talvez tenha os olhos castanhos, ao invés de azuis, talvez use óculos e talvez tenha os dentes um pouco amarelados, ou fume, ou qualquer coisa assim. Mas sério, isso realmente importa?
Afinal: nadie es perfecto.

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